Trilha da Bocaininha – Cucuruto e Trilha da Onça 🚴‍♂️🌿



Essa é uma daquelas rotas que os amantes do mountain bike chamam de trilha raiz: terrenos técnicos, desafios constantes, mata fechada e paisagens exuberantes que transformam cada quilômetro em uma verdadeira experiência de aventura.

E como toda boa trilha raiz, ela guarda para o final um grande teste de resistência: a exigente subida da Serra da Bocaininha.

O percurso começa em direção ao distrito de Amanhece, seguindo pela estrada que margeia a rodovia. Antes de iniciar a parte mais intensa da aventura, existe a opção de uma rápida parada na tradicional Padaria Esperança, em frente à praça principal do distrito — um ponto clássico para abastecer as energias.

A partir dali, seguimos rumo à Serra da Bocaina. Mas, desta vez, o destino não será a serra principal. Pouco antes do início da descida, uma estrada à esquerda leva os ciclistas até o famoso Cucuruto. Antes de encarar o trecho técnico, vale a pena apreciar, do alto, a impressionante paisagem da região da Bocaina.

A descida do Cucuruto exige atenção total. O terreno íngreme, coberto por pedras soltas e cascalho, pode esconder surpresas a cada curva. Técnica e controle fazem toda a diferença nesse trecho.

Ao final da descida, começa uma das partes mais divertidas da rota: o primeiro trecho de single track. O acesso é feito por um trilheiro à direita, tendo como referência um córrego que marca o caminho até a entrada da tradicional Trilha da Onça.

Aqui fica um pedido importante para todos os aventureiros: ao passar pelos colchetes das propriedades, mantenha-os sempre fechados. Esse cuidado ajuda a preservar o bom relacionamento com os proprietários e garante que as trilhas continuem acessíveis para todos.

A Trilha da Onça atravessa quilômetros de mata fechada, em um percurso estreito, técnico e repleto de obstáculos naturais. Existem desafios para todos os níveis de experiência. Os ciclistas mais experientes conseguem completar alguns trechos sem colocar os pés no chão; já outros precisarão empurrar a bike em determinados pontos — e isso também faz parte da aventura.

O primeiro trecho de trilheiro termina já na estrada da Bocaininha, onde seguimos à direita até uma antiga e rústica fazenda. Logo depois, outra estrada à esquerda conduz os ciclistas por mais um cenário típico do interior, incluindo travessias de córregos que variam conforme a época do ano.

Antigamente, essa estrada era utilizada como acesso até a Capela da Bocaininha. Hoje, devido ao desuso, o caminho se transformou em mais um trecho de single track, levando até a capela, que atualmente se encontra abandonada, mas ainda carrega parte da história da região.

A partir desse ponto, o percurso se torna ainda mais selvagem. Em alguns momentos, é preciso seguir pelas trilhas abertas pelo gado, enquanto a imponente Serra da Bocaininha acompanha o trajeto ao lado esquerdo, criando um visual incrível durante todo o caminho.

Logo chegamos ao Córrego do Mataboi, um dos mais volumosos da região. Após a travessia, seguimos por mais alguns quilômetros de terreno técnico até finalmente alcançar a estrada principal, iniciando o retorno para Araguari.

Mas não pense que o desafio acabou.

Agora o terreno deixa de exigir tanta técnica e passa a cobrar resistência física. As constantes subidas e descidas colocam as pernas à prova até o momento de reencontrar o Córrego do Mataboi, desta vez atravessando uma rústica ponte de madeira.

Dependendo do clima e do ritmo do pedal, esse pode ser o ponto perfeito para uma pausa e um banho refrescante antes da etapa final: a longa subida da Serra da Bocaininha.

Enquanto os ciclistas ganham altitude, a paisagem vai surgindo lentamente às costas, revelando toda a beleza da região. Com algumas paradas estratégicas para recuperação, logo se alcança o ponto mais alto do percurso. Dali, basta seguir em direção à estrada que liga Amanhece ao povoado de Ararapira para iniciar o retorno até Amanhece e, posteriormente, Araguari.

Uma rota intensa, técnica e desafiadora — perfeita para quem busca aventura, superação e histórias para contar depois do pedal.

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